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José Carlos AraújoFUTEBOL DE RESULTADOS

A Copa do Mundo da África do Sul não foi o espetáculo que todos esperávamos. Não foi uma competição do futebol-arte. Na verdade, sequer tivemos grandes destaques individuais, aqueles jogadores que, em todo Mundial, se tornam as grandes estrelas.

Ao contrário, foi uma Copa do Mundo, como já aconteceu em outras edições, com a supremacia do futebol de resultados. Valeu mais a parte tática. Foi mais importante a condição física dos jogadores, porque, em muitos jogos, a correria superou a técnica.

Não houve grandes nomes a comentar. Os jogadores que acabaram se sobressaindo não fizeram apresentações espetaculares, mas apenas o que fazem habitualmente em seus clubes, como o argentino Messi e o português Ronaldo Cristiano.

Vale, pelo menos, destacar a evolução do futebol em países sem grande tradição no esporte, como mostraram as seleções do Japão, dos Estados Unidos e da Coréia do Sul. Quando poucos acreditavam, conseguiram passar da primeira fase, jogando de igual para igual com seleções favoritas ao título.

Mas, se não foi uma Copa do Mundo brilhante, certamente deixa grandes lições para o mundo do futebol. A primeira delas é a de que não se ganha um mundial apenas com tradição e nome. Muito menos se deve esperar muito de seleções envelhecidas. A Itália foi um exemplo disso, sendo eliminada na primeira fase.

Talvez, depois dessa Copa na África do Sul, alguns países mudem radicalmente seus conceitos. A Itália, um desses países, não conseguiu renovar sua seleção. Afinal, com tantos estrangeiros atuando em seus clubes, as chances de aparecerem novos talentos ficam reduzidas.

O mesmo pensamento serve para outros países que se tornaram grandes importadores de craques do mundo todo, especialmente do futebol sulamericano. Não foi por acaso que as seleções da América do Sul tiveram um desempenho acima do esperado. Seus principais jogadores adquirem experiência internacional por atuarem nos grandes centros e os clubes, sem alternativa, têm que buscar substitutos em suas divisões de base, promovendo, assim, uma constante renovação.

Toda Copa do Mundo deixa suas lições. Depois de cada um desses eventos, muita coisa muda, dentro e fora do campo. Eu estou certo de que o mundo do futebol não será o mesmo depois de mais essa Copa.

Mesmo não sendo uma competição de grandes espetáculos, como todos gostariam, o Mundial da África do Sul deverá ser um divisor de águas. A principal conseqüência pode ser, de imediato, uma provável mudança de atitude nos principais clubes do mundo: eles devem restringir a importação de jogadores, voltando-se mais para a formação de talentos nacionais.

De repente, isso pode ser bom também para o futebol brasileiro, que poderá reter no país seus principais jogadores por mais tempo. Pode ser um renascimento do futebol-arte, que – na Copa do Mundo deste ano - passou longe da África do Sul.

José Carlos Araújo

 

 
 
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