“CADÊ O PATRIOTISMO?”
Como é bom ver gente do prestígio de Ronaldinho Gaúcho se apresentando à Seleção Brasileira. Ele, que assinou contrato com o Milan, deixou essa vontade como imposição, nas negociações com o novo clube. Como é bom ver atletas, como Diego, se apresentando à Seleção, mesmo contrariando determinações de seus diretores.
Não estou exaltando, nem incentivando a indisciplina.
O que estou querendo mostrar é que o prazer de servir ao Brasil ainda existe. Embora muitos, tidos como indispensáveis, prefiram jogar em seus clubes e estranhamente se lesionem às vésperas da Seleção Brasileira se reunir, outros dão o merecido valor à convocação e fazem de tudo para entrar em campo e representar o nosso país.
Nós já tivemos exemplos desse tipo de amor de uns e também do desamor de outros. Uns, que se acham fundamentais, pensam que podem jogar quando bem entenderem. E, quando fazem isso, só dão mostras de que seria mesmo melhor que não vestissem o uniforme brasileiro.
A esses, faltam amor e patriotismo, fatores essenciais para serem bem-sucedidos na Seleção Brasileira. Para representar o Brasil, não basta ser craque; tem que ter, acima de tudo, vontade de jogar, prazer de ser convocado e patriotismo para até dar sangue pelo país, se preciso for.
O que temos visto, lamentavelmente, é muita gente deixando a Seleção Brasileira em segundo plano. Claro que o clube é muito importante na vida do atleta. É ele que lhe dá visibilidade e lhe paga (altos) salários. Mas, o jogador, por mais virtuoso que seja, por mais que seja um vencedor em seu clube, nunca será realizado, se não passar pela Seleção Brasileira, se não conquistar um título defendendo o nosso país.
Esses jogadores, que agora buscam artifícios para recusar a convocação para as Olimpíadas de Pequim, deveriam entender uma verdade: o sucesso deles depende do sucesso da nossa Seleção. Quanto mais a Seleção vencer, mais eles serão cobiçados. Mas, não se esqueçam de que a recíproca também é verdadeira.
Por isso, faço questão absoluta de destacar a atitude de jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Diego. Eles não se importaram com as conseqüências. Deixaram falar mais alto o amor pelo Brasil, o patriotismo e o ideal de serem jogadores de Seleção Brasileira.
Tomara que a comissão técnica da CBF tenha observado e sinta o que eu senti, para nunca mais convocar aqueles que, por temor da pressão dos clubes ou mesmo desinteresse, tenham abdicado da honra de defender a nossa Seleção.
É muito mais importante levar atletas com menor qualidade técnica, mas que – em campo – sejam capazes de se doar muito mais. É esse tipo de jogador que faz a nossa glória.
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